
Ao longo dos séculos, tenho-me cruzado com almas azedas, e, confesso, estou a ficar farta delas.
No início até lhes achava graça, mas com o passar dos tempos, oh cum catano… vão mas é morrer longe!
Não sei se a vida as azedou, se nasceram azedas, se optaram por ser azedas, como forma de enfrentarem o mundo dos vivos, o certo é que estou sem paciência para tais almas.
São almas que se consideram acima dos mortais, ou porque são intelectualmente superiores (pensam elas, na sua ignorância, pois nem param para pensar que aquilo que sabem é um grão de areia, comparado com aquilo que não sabem), ou porque têm mais dinheiro que as demais (também erradamente, há sempre alguém com mais dinheiro que nós), ou porque têm amigos que julgam influentes (mais um erro, às vezes um porteiro tem mais influência que um administrador de empresa, pelo menos a nível de “favores”, o administrador não pede porque “não desce aí”, o porteiro está-se bem a cagar, pede e pronto, e por norma é atendido, até porque, quem faz o favor, deve favores ao porteiro, que fecha os olhos à picagem do ponto, que fecha os olhos à entrada do amante na casa da alma casada, etc etc etc).
Acho que já tenho idade (quase 745) para começar a evitar contactos com almas azedas.
Ficam avisadas. Estou pelos pêlos do cocuruto com vocês!
