Comecei a ler a trilogia “as cinquenta sombras de Grey”,
tendo em conta que no Verão passado toda a gente falava disto, e o mulherio
quase todo tinha lido. (segundo um amigo que trabalha num inferno que também
vende livros, era os livros chegarem e desaparecerem).
Bom, vou na página 286 do 1º volume, e já começo a perceber
o porquê de tanto “sururu” à volta desta trilogia.
Começo por dizer que é um livro que se lê bem, é um livro (na
verdade são 3) bom para ler no Verão, mas que tem, desde logo um erro de
“casting”: os protagonistas não podem ter a idade que têm (27 anos ele, 21 anos
ela), porque não têm maturidade, lucidez, e experiência de vida para
protagonizarem esta história. Só isso. Ele deveria ter 40, e ela 30/35.
Mas porquê tanto sucesso?
Porque a maioria das almas não sabe distinguir o “fazer
amor” de “foder” (e vou deixar de usar aspas).
As mulheres têm fantasias (e muitas, e são muito criativas),
mas não as comunicam ao parceiro, esperam que ele as adivinhe, mas, minhas caras,
os gajos são muito maus a adivinhar, portanto não vão por aí.
Os homens são mais parcos em fantasias, quase todos vão
directos ao foderem com 2 mulheres ao mesmo tempo. Original não é?? Pois não.
Pior, eles nem são capazes de satisfazer uma que goste de
foder, quanto mais duas, ficavam ali a fazer o quê? A ver como se faz? É certo
que sempre aprendiam qualquer coisa, mas convenhamos que não é a mesma coisa.
Quando as mulheres falam em fazer amor, é porque querem
mostrar um lado mais romântico, porque a educação que tivemos ao longo dos
séculos nos manda ser recatadas, nós não fodemos, nós fazemos amor. Tss tss nem
pensem nisso, nós fodemos, muito, e bem. Os gajos é que não sabem explorar esse
nosso lado, não arriscam, não nos surpreendem. E nós, temos medo de arriscar:
“o que vai ele pensar de mim?”
Também eles, romanticamente, esperam que seja a mulher a
fodê-los, a provocá-los, a inventar, a criar situações de risco, a ir mais
além. São calões por natureza. É quase preciso escrever nas paredes “quero ser
fodida de forma selvagem” para que eles percebam que a posição de missionário é
para as beatas, enquanto brocham o padre, ou seja, estão de joelhos.
Nós queremos brincar, queremos brinquedos, E queremos
usá-los. Ah gostam de sexo anal? Bora nessa, mas nós podemos fazer-vos o mesmo,
boa? E podem aceitar sem medos, vão descobrir “mares nunca dantes navegados” .
Sim os brinquedos são para ser usados por ambos, e um bocadinho de dor nunca
fez mal a ninguém, deixem de ser mariquinhas.
Fazer amor fazemos todos os dias, ao chegar a casa, quando
beijamos a pessoa amada, quando passamos por ela e lhe apalpamos as nalgas ou
qualquer outra parte do corpo, fazer amor é gostar de estar com aquela pessoa e
não com outra. Foder não tem nada a ver com isto. Pode-se fazer amor com uma
pessoa e foder com outra.
E, voltando ao livro, o sucesso deve-se basicamente a isto:
As mulheres querem foder, e vocês homens são um bando de incompetentes, que se
acham muito bons, mas que na realidade são uma merda na cama. Experimentem prescindir
do vosso prazer (leia-se orgasmo) para darem
um verdadeiro orgasmo à vossa parceira, submetam-se, façam só o que ela
quiser, sejam escravos, ou sejam donos, sendo que em qualquer dos papeis só
pensam em dar-lhes o melhor. Vão ficar surpreendidos.
Medo de dizer quais são as vossas fantasias? Escrevam-nas.
Combinem “eu escrevo as minhas 10 maiores fantasias, tu escreves as tuas,
depois trocamos os papeis e vamos tentar conciliar e por todas em prática”.
Ahhh e aquela fantasia das duas mulheres com um homem?? É na
boa, mas sejam vocês homens a arranjar a tal companhia extra, vão ver se é
assim tão fácil como nos filmes porno.
Mas preparem-se porque a seguir pode vir o pedido de um
companheiro extra, e vocês não podem dizer que não.
Foder é isto, vale tudo, desde que ambos concordem .
E este país é um bando de almas mal fodidas, literalmente.








