sexta-feira, janeiro 11, 2013

As minhas sombras

AVISO: Este post contém linguagem que pode ser considerada obscena, portanto quem for sensível a este tipo de linguagem não leia a partir daqui.



Comecei a ler a trilogia “as cinquenta sombras de Grey”, tendo em conta que no Verão passado toda a gente falava disto, e o mulherio quase todo tinha lido. (segundo um amigo que trabalha num inferno que também vende livros, era os livros chegarem e desaparecerem).
Bom, vou na página 286 do 1º volume, e já começo a perceber o porquê de tanto “sururu” à volta desta trilogia.
Começo por dizer que é um livro que se lê bem, é um livro (na verdade são 3) bom para ler no Verão, mas que tem, desde logo um erro de “casting”: os protagonistas não podem ter a idade que têm (27 anos ele, 21 anos ela), porque não têm maturidade, lucidez, e experiência de vida para protagonizarem esta história. Só isso. Ele deveria ter 40, e ela 30/35.
Mas porquê tanto sucesso?
Porque a maioria das almas não sabe distinguir o “fazer amor” de “foder” (e vou deixar de usar aspas).
As mulheres têm fantasias (e muitas, e são muito criativas), mas não as comunicam ao parceiro, esperam que ele as adivinhe, mas, minhas caras, os gajos são muito maus a adivinhar, portanto não vão por aí.
Os homens são mais parcos em fantasias, quase todos vão directos ao foderem com 2 mulheres ao mesmo tempo. Original não é?? Pois não.
Pior, eles nem são capazes de satisfazer uma que goste de foder, quanto mais duas, ficavam ali a fazer o quê? A ver como se faz? É certo que sempre aprendiam qualquer coisa, mas convenhamos que não é a mesma coisa.
Quando as mulheres falam em fazer amor, é porque querem mostrar um lado mais romântico, porque a educação que tivemos ao longo dos séculos nos manda ser recatadas, nós não fodemos, nós fazemos amor. Tss tss nem pensem nisso, nós fodemos, muito, e bem. Os gajos é que não sabem explorar esse nosso lado, não arriscam, não nos surpreendem. E nós, temos medo de arriscar: “o que vai ele pensar de mim?”
Também eles, romanticamente, esperam que seja a mulher a fodê-los, a provocá-los, a inventar, a criar situações de risco, a ir mais além. São calões por natureza. É quase preciso escrever nas paredes “quero ser fodida de forma selvagem” para que eles percebam que a posição de missionário é para as beatas, enquanto brocham o padre, ou seja, estão de joelhos.
Nós queremos brincar, queremos brinquedos, E queremos usá-los. Ah gostam de sexo anal? Bora nessa, mas nós podemos fazer-vos o mesmo, boa? E podem aceitar sem medos, vão descobrir “mares nunca dantes navegados” . Sim os brinquedos são para ser usados por ambos, e um bocadinho de dor nunca fez mal a ninguém, deixem de ser mariquinhas.
Fazer amor fazemos todos os dias, ao chegar a casa, quando beijamos a pessoa amada, quando passamos por ela e lhe apalpamos as nalgas ou qualquer outra parte do corpo, fazer amor é gostar de estar com aquela pessoa e não com outra. Foder não tem nada a ver com isto. Pode-se fazer amor com uma pessoa e foder com outra.
E, voltando ao livro, o sucesso deve-se basicamente a isto: As mulheres querem foder, e vocês homens são um bando de incompetentes, que se acham muito bons, mas que na realidade são uma merda na cama. Experimentem prescindir do vosso prazer (leia-se orgasmo) para darem  um verdadeiro orgasmo à vossa parceira, submetam-se, façam só o que ela quiser, sejam escravos, ou sejam donos, sendo que em qualquer dos papeis só pensam em dar-lhes o melhor. Vão ficar surpreendidos.
Medo de dizer quais são as vossas fantasias? Escrevam-nas. Combinem “eu escrevo as minhas 10 maiores fantasias, tu escreves as tuas, depois trocamos os papeis e vamos tentar conciliar e por todas em prática”.
Ahhh e aquela fantasia das duas mulheres com um homem?? É na boa, mas sejam vocês homens a arranjar a tal companhia extra, vão ver se é assim tão fácil como nos filmes porno.
Mas preparem-se porque a seguir pode vir o pedido de um companheiro extra, e vocês não podem dizer que não.
Foder é isto, vale tudo, desde que ambos concordem .
E este país é um bando de almas mal fodidas, literalmente.


quarta-feira, dezembro 19, 2012

Inocência


E qualquer dia este é um baby-blog.
(Mesmo que venha a ser vocês não têm nada com isso)
]:-)

quinta-feira, novembro 29, 2012

Conversas e mais conversas








O espermatozóide diz assim para o óvulo:
- Deixas-me entrar?
E o óvulo diz:
- Não! És tu que tens que descobrir a entrada. Não te vou deixar entrar logo, logo, logo.
O espermatozóide, muito ofendido, diz:
- E porque não? Eu até vim de gravata. E olha que demorou muito a fazer para quem não tem braços!
O óvulo olhou para ele e disse:
- Até podes vir de fato que eu não te deixo entrar! Não é assim que se faz! Primeiro tu tentas entrar, depois eu possivelmente deixo-te entrar,  e depois juntos fazemos a fecundação. E depois do depois é que nós descemos pelas trompas e vamos parar ao útero, que é um lugar “fofo” e “quente” para o embrião se desenvolver e se transformar em recém-nascido. Já percebeste?
E o espermatozóide já com sono disse:
- Hhhhha! Sim acho que já percebi.
Passados 9 meses nasce uma bebé chamada Candace. Mas o óvulo e o espermatozóide têm sempre a mesma conversa: O espermatozóide ainda não sabe como é que se faz…

Nota1: Eu não me lembro de na terceira classe ter este tipo de matéria na escola.
Nota2: Os gaijos são  lentos de raciocínio desde sempre, está visto.

terça-feira, novembro 27, 2012

Inveja

Manuel Maria Barbosa du Bocage

1765 / 1805

Livro: Sonetos
Tema: Inveja

"Tu, de quantos dragões o Inferno encerra,
És o pior, Inveja pestilente!
Morde a virtude, ao mérito faz guerra
Teu detestável, teu maligno dente."
 
 
Ahhhh a Inveja, esse nobre sentimento, todos a têm, todos a negam. Eu assumo-a.
Tenho inveja do sol, porque brilha
Tenho inveja da lua, pelo sossego
Tenho inveja do ar, porque se eu o fosse, não era para todos
Tenho inveja de quem escreve bem, e tem ideias geniais
Tenho inveja de quem pinta bem (mas não muita, é um trabalho que requer algo que não tenho: paciência)
Em suma: Sou uma invejosa.
 
E está visto que o Bocage já na sua época me conhecia.
]:-)
 

segunda-feira, novembro 26, 2012

Minizines, Fanzines, Prozines, e outros zines




Entre os que me conhecem sabem que basta falarem-me em Fanzines para eu ficar imediatamente com urticária (para além do pêlo todo eriçado).
Parece-me que cada coisa tem o seu lugar, e estes “zines” nada mais são que experiências de quem se quer aventurar no mundo dos desenhos  Ilustração/Banda Desenhada, e isso, em princípio acontece quando esses candidatos a artistas andam no liceu, vá admito, até ao fim da faculdade, mais que isso… façam-se à vida. Ou têm jeito para o desenho, e se têm, arranjem um argumentista e atirem-se ao trabalho, e levem o projecto já quase pronto (ou no mínimo 50% pronto) a diversas editoras.
Vão levar com imensos “nãos”, temos pena é assim. E se os editores onde forem vos indicarem erros, quer no desenho, quer no argumento, ENGULAM (apendi isto este fim de semana numa Masterclass dada pelo Mário Freitas, da editora Kingpin, organizado pela BD ao Forte), não contra-argumentem, não defendam os vossos erros, pensem numa coisa simples: O editor sabe mais que vocês, tem mais experiência, e finalmente – se lutarem com o editor, é certo que ali não conseguem editar nada.
Tudo isto porquê? Porque adquiri um “Minizine” a um “zinista” convicto, mas que já tem idade para se deixar de zines e passar para outro patamar.
Usa o pseudónimo de Chaka Sidyn, e o que eu tenho para lhe dizer é isto:
Desenhas melhor que eu, mas essa não é a tua praia, não tens um talento inato, gostas, treinas, mas não, desenha para ti treina muito se isso te faz feliz, treina mãos e pés, muitos, mas guarda na gaveta.
O mesmo já não digo quanto aos teus argumentos, gostei muito, tens aquilo que o Mário Freitas disse ser o “mostra, não digas” ou seja, consegues com que o desenhador faça o que queres transmitir, e não precisas de muitas palavras para lá chegares.  Gostei imenso de “Um erro” (mas não gostei do desenho, e vou-me abster de dizer o nome do autor), “As grilhetas invisíveis” (e ainda gostei menos do desenho, este desenhador tem de treinar muito, muito,  muito proporções, e mãos, entre outras coisas), “Perfeita”, e aqui és o argumentista/desenhador, mantenho o que disse: Aposta no argumento, é nisso que és bom.
Finalmente, e para não estar só a bater  nos desenhadores, informa a Daniela Viçoso que gostei imenso do traço dela na história “Um dia” (com mais um argumento teu), ela que insista e não desista, e tu, se funcionou bem a parceria, porque não apostam em formar “par de trabalho” (não estou aqui a dar uma de cupido, entenda-se, esse não é o meu departamento), a história de “Um dia” está muito boa, desenhos expressivos, onde o “mostra, não digas” estás presente na medida exacta.
Já agora Chaka Sidyn, atreve-te a escrever histórias mais longas, atreve-te a sair dessa zona de conforto que são os “zines”, já não tens idade para isso. Arrisca. Podes ter uma boa surpresa.
Podem ver o blog do Chaka Sidyn aqui: http://sanktio.blogspot.pt/

 

terça-feira, novembro 20, 2012

É assim que se faz uma boa BD


E aqui está a prova que uma boa banda desenhada, para crianças, não precisa de texto.

Quem nunca contou/leu/ouviu a história do Capuchinho Vermelho? Este pequeno livro
(edição ASA), não tem balões, conta a história apenas com desenhos . Depois dos desenhos, ensina as crianças "como desenhar" algumas das figuras. Finalmente tem a história em texto.

Está um livro fantástico, que me encantou folhear, e fui eu mesma fazendo os textos de quadradinho em quadradinho
(ou para os cromos, de vinheta em vinheta).

E assim se ensinam as crianças a imaginar, a gostar de Banda Desenhada, a experimentar desenhar, e depois até podem ler a história, ou haver alguém que lha conte. É um livro que tanto pode ser oferecido a uma criança de 3 anos, como a um adulto que se pode divertir a imaginar os textos que lá deveriam estar, e não estão.
(eu não me importaria de receber um livro destes - mas não me ofereçam, porque este já tenho, e também tenho o da Branca de Neve, que está igualmente fantástico).

Só falta dizer que os desenhos são de Domas, as cores foram dadas por Sylvie Bonino, o texto (história em texto no final do livro) por Hélène Beney, tradução e adaptação feita por Maria José Magalhães Pereira.


Nota: Gostei particularmente do final do lobo. ]:-) 

sexta-feira, novembro 16, 2012

Fiquei com uma tromba... uiii

http://www.wook.pt/ficha/conversa-de-elefantes/a/id/11556567 (imagem retirada do site da Wook)
http://richardcamara.blogspot.pt/2011/02/trabalhar-no-working-on.html (imagem retirada do blog do próprio Richard Câmara)


Este livro, para crianças, é livro recomendado pelo famigerado PNL (plano nacional de leitura) – aquela entidade que recomendou um livro da escritora Alice Vieira, para adultos, a crianças do 2º ano, pelos vistos sem o ter lido antes – e este “conversa de elefantes” parece ter sido objecto da mesma falta de leitura.
Não, o livro não é para adultos, é mesmo para crianças, mas… estando como livro recomendado não deveriam ter verificado se tudo o que lá está escrito ensina algo às crianças, ou, pelo contrário as “desensina”?
Na página 17 do tal livro consta o seguinte: “O elefante carrancudo deu um urro muito forte.
Oh meus amigos, senhores iluminados do PNL, os elefantes urram? Têm a certeza?
É que, ao que eu sei, os elefantes BRAMEM, isso mesmo, os elefantes bramem, e se é um livro para crianças, além de lhes ensinarmos palavras novas, não as devemos induzir em erro.
E os desenhos?? Oh valha-me a Cãocorrência, mas o que é que é aquilo?? Os elefantes têm dentes como os humanos? Onde param as presas que tanto os caracterizam?
E a tromba? Atentem na capa do livro, vejam a diferença entre a tromba do elefante azul e a tromba do elefante cinzento.
A historinha, para crianças até é aceitável (excepto o tal “urro”), nada de especial, mas aceitável. Os desenhos… se querem colocar desenhos como se fosse uma criança a fazê-los, ponham MESMO uma criança a fazê-los. Tenho a certeza que os elefantes teriam, pelo menos presas.
Não faço scan de nenhuma folha do livro (tem lá um elefante a cagar – literalmente – só porque sim) porque os direitos de autor são demasiado apertados e não quero de forma alguma ferir tais direitos (que até me impedem de emprestar o livro) ]:-| , portanto as imagens que apresento foram tiradas da net, do site da Wook, e o storyboard foi retirado do blog do desenhador que ilustrou este livro que eu NÃO RECOMENDO – Richard Câmara.
Plágio encapotado. Ler post de 10.Abril.2011.